sábado, 14 de novembro de 2009

Comida pra cabelo

Os alimentos são o combustível do corpo. É deles que se obtém todos os componentes de que as células precisam para manterem a funcionalidade. Com os cabelos não é diferente. Para os fios também vale a máxima de que é importante ter uma alimentação saudável. “Uma dieta saudável e equilibrada interfere na saúde como um todo e não poderia deixar de influenciar na saúde dos cabelos também”, afirma a nutricionista pela UFV, Flávia Liparini Pereira.



De acordo com Flávia, o cabelo é composto por queratina (90%), água, lipídeos, pentoses, glicogênio e ácido glutâmico (8%) e minerais de ferro, cobre, zinco, alumínio e cobalto (2%). Mas ela lembra que “o corpo só mandará os nutrientes para os fios depois de suprir o que é mais importante no organismo”.

Quando se fala em boa aparência dos cabelos, trata-se do brilho, do fortalecimento dos fios e da situação propícia para o crescimento de em média um centímetro por mês. E no que tange a evitar as quedas, que é uma preocupação de muitas pessoas, a escolha dos alimentos ingeridos interfere sim nesse fator. Já que essa queda pode ser resultado de problemas hormonais, metabólicos, químicos e psicológicos, e a nutrição está diretamente ligada a todos eles.

O interessante é que a alimentação não interfere na coloração que o cabelo possui. Flávia explica o porquê: “a coloração dos cabelos depende da quantidade e da qualidade de um pigmento chamado melanina, presentes no córtex dos fios. E a variedade das cores dos cabelos se devem a 2 tipos de melanina: a Eumelanina (cabelo castanho e preto) e a Feomelanina (cabelo castanho avermelhado e louro). No entanto, com uma dieta balanceada os cabelos ficam mais vistosos e com brilho, interferindo nesse aspecto da coloração”.

Saúde pressupõe equilíbrio. Assim, o bem-estar da cabeleira depende da combinação dos alimentos que se come e da maneira como as madeixas são cuidadas externamente.

Foto: Flickr/Crative Commons: Mona.~

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Cabelo: expressão de religiões

Cada cultura possui uma forma de se manifestar e de se representar aos outros. A religiosidade é uma das características culturais mais marcantes na distinção de povos. Cada religião em sua determinada cultura possui crenças que expressam uma ideologia.

O professor do Departamento de História da Universidade Federal de Viçosa, Ângelo Adriano Faria de Assis ainda acrescenta que cada cultura é distinguida por meio de diferentes tipos de condutas, sendo o cabelo uma das formas de refletir como as pessoas lidam com o divino.

Assim, algumas religiões cobram de seus fiéis e entendem como práticas de religiosidade determinados tipos de comportamentos, como que roupas vestir, o cuidado com os cabelos e o uso de alguns acessórios na cabeça, como chapéus e panos. Esses fatos demonstram os tipos de relação que o indivíduo tem com a sua religião, assim como também o status e/ou o papel que esse exerce na mesma.

Um exemplo é o caso de alguns padres da Igreja Católica que raspam o alto da cabeça como forma de representar em que posição hierárquica estes se encontram. Outro caso são os homens judaicos que deixam crescer cachos de cabelo e a barba simbolizando conhecimento e maturidade. Ou ainda, o Protestantismo, no qual as mulheres não cortam os cabelos e não possuem vaidades para transparecer humildade e respeito.



Essas diferentes maneiras de transpor as crenças muitas vezes só são compreendidas entre aqueles que estão inseridos naquele determinado contexto e/ou universo simbólico da religião. O professor Ângelo diz que essas diferentes demonstrações dentro das religiões merecem respeito e tolerância, uma vez que aquilo que me é estranho pode ser natural ao outro, assim como meus costumes podem ser estranhos aos demais.

Foto: Imagens do Google

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cabeleira inatingível

São as mães quem decidem os penteados dos filhos até que possam fazer isso por conta própria. Nesse período, elas transmitem a eles a carga cultural por elas apreendida e a fazem manifestar nas crianças.

Alguns, quando se tornam mais velhos buscam fugir do que lhes era passado, com a intenção de construir e apresentar uma identidade, um diferencial. São, por isso, comuns as formações de tribos e com elas as caracterizações.

São muitas as informações presentes na arrumação do cabelo, começando por se perceber a necessidade sentida pelas pessoas, principalmente os adolescentes, em seguir os padrões de beleza.

Nos últimos dias, as notícias sobre esse assunto consideraram que o que está acontecendo são questionamentos quanto aos parâmetros de beleza. E eu digo que o que está se configurando é a ampliação de um mercado, o mercado dos produtos para cabelos crespos e enrolados.

Agora é isso, daqui a pouco a tendência é outra. As mudanças periódicas não são o problema, O que causa agravantes é a insatisfação frequente em que as pessoas vivem. Estão sempre querendo alcançar algo e parecem que nunca estarão satisfeitas.

sábado, 31 de outubro de 2009

Cabelo fala

Você está sempre em comunicação com outros seres vivos e com o mundo. A todo o momento variadas mensagens são transmitidas de modo verbal ou não verbal. São opiniões, desejos, sensações que contribuem nos relacionamentos em sociedade.

Nós, humanos, somos seres sociais que interagimos com os outros a partir da nossa cultura. O cabelo é uma importante ferramenta (vamos dizer assim) de transmissão de ideias. Como me disse o psicólogo da Divisão Psicossocial da UFV, Felipe Stephan Lisboa, "o cabelo é uma forma de expressão social".


Por meio dele os outros te percebem ao mesmo tempo em que você se percebe. Parece complicado? Vamos com calma... O cabelo está ligado a auto-estima e a auto-imagem. São compreensões que você tem sobre si. O que você é? Quais são as suas características?

Suas percepções sobre você são expostas pelo seu corpo (destacando aqui o cabelo), suas ações, seus pensamentos. E o que você externa, a imagem que você transmite de você, está relacionada às coisas que você crê e gosta.

"A gente se percebe pela forma como as outras pessoas nos enxergam". É assim que se forma a compreensão de muitas situações. E Felipe exemplifica: "uma criança faz alguma besteira. Ela percebe que é besteira à medida que os outros falam que é besteira".

A cabeleira tem função social de mediar relações interpessoais, de acordo com o psicólogo Lisboa. As madeixas comunicam e permitem a interação social. Mas e os carecas? Não ter cabelo também informa algo?

Em “É dos carecas que elas gostam” apontamos que os calvos podem transparecer segurança e estabilidade familiar. Porém, Felipe acredita que esses conceitos estão associadas à idade e ao amadurecimento natural. E acrescenta que a atração se dá pela combinação de muitos fatores, não só pela aparência.

Só tem um jeito de saber se a sua imagem realmente passa o que você acredita ser: quando você se vê no espelho e isso (a imagem refletida) “não é estranho pra você e você se sente bem”, conclui Felipe Lisboa.




Foto: Flickr/Creative Commons: colin j.



terça-feira, 27 de outubro de 2009

Barbearia: o local sagrado dos homens

Há um tempo atrás acompanhei meu namorado em uma barbearia aqui de Viçosa. O lugar era pequeno, sem muitos luxos, mas bastante limpo. Fiquei folheando um jornal velho para passar o tempo enquanto ele cortava os cabelos, que para minha surpresa, foi bem rápido. Tudo bem! Confesso que meu namorado é quase careca, mas acredito que ele não foi a exceção.

Entre uma passada de olho e outra no jornal eu ia observando a agilidade que o barbeiro tinha com a tesoura, outras vezes com a navalha ou então com aquelas maquininhas de aparar os cabelos. E como boa mulher que sou, fiquei de ouvidos atentos nos assuntos que surgiam.

Sim! Os homens também adoram fofocar na barbearia! Seja sobre o futebol, política ou aquela garota bonita que acabou de passar na rua, existe sempre um comentário ou uma piadinha na ponta da língua.



Outra coisa que notei foi como a grande maioria dos homens são práticos e muitas vezes decididos. “Pode cortar tudo”, “apara as pontas” ou para os frequentadores assíduos "o de sempre!" , assim sem muitos penteados ou cortes variados. É claro que de vez em quando aparece algum com desenhos na cabeça ou uma cor diferente nos cabelos. Mas a grande maioria opta pelo básico.

Mesmo assim fiquei pensando: já vi homens em salões, estéticas e SPAs, uma vez que estão cada vez mais vaidosos, mas nunca vi uma mulher em uma barbearia. Me deu uma vontade louca de perguntar ao barbeiro se ele já havia atendido alguma mulher. Mas me contive, prefiro acreditar que a barbearia é o local sagrado dos homens. Lá eles podem se cuidar e se sentir belos sem ferir sua masculinidade.

Foto: Flickr/Creative Commons: Elmo Alves

sábado, 24 de outubro de 2009

Relacionamento no salão

Cortar o cabelo, colorir, hidratar, escovar parecem atividades comuns e simples, principalmente para as mulheres. Mas ao contrário do que se pensa, muitas pessoas tem medo de ir ao salão de beleza. Esse receio é desenvolvido por algumas situações de desconforto vivenciados nesse ambiente.

É o caso da estudante de 25 anos, Fernanda Cristina Caparelli de Oliveira.  “Eu fui cortar o meu cabelo e quando eu cheguei no salão, a secretária que me atendeu foi quem veio cortar o meu cabelo. Ela começou a cortar a minha franja e eu falei que ela tava cortando muito. E eu pensava que algo estava errado. Quando ela parou eu estava igual um cebolinha. Ela cortou a minha franja no meio da testa e eu tenho a testa grande. Ai, comecei a chorar desesperada no salão. A moça começou a me dizer que o cabelo crescia e que eu podia usar tic-tac e ainda cobrou sete reais pelo corte. Fiquei muito irritada. Eu só saia de casa com boné.”, conta ela.



Não são só os clientes que percebem que a dificuldade de relacionamento com o cabeleireiro pode gerar insatisfação. Os profissionais do cabelo consideram que o seu trabalho fica mais complicado quando não conseguem entender o que o cliente quer. Cabeleireira há 4 anos, Lúcia Gonçalves Moreira, acredita que o segredo é conversar com a pessoa que vai atender, antes de começar a fazer o serviço.

Lúcia acrescenta que os peteados também geram dificuldades de compreensão entre o cliente e o cabeleireiro. Porém, a grande reclamação quando o assunto é ir ao salão é quanto a cortar as pontinhas, é o que diz  Suely Januário Galeano, de 35 anos: "Eu não gosto quando peço para cortar as pontas do meu cabelo e a cabeleireira corta muito mais do que eu peço. Eu fico muito chateada”.

O que está em questão aqui é a experiência do cabeleireiro em confronto com o gosto do cliente. E o que dá bons resultados é a mistura das duas coisas. Para isso, deve haver muito respeito entre as partes.

Foto: Flickr/Creative Commons: emrank