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sábado, 31 de outubro de 2009

Cabelo fala

Você está sempre em comunicação com outros seres vivos e com o mundo. A todo o momento variadas mensagens são transmitidas de modo verbal ou não verbal. São opiniões, desejos, sensações que contribuem nos relacionamentos em sociedade.

Nós, humanos, somos seres sociais que interagimos com os outros a partir da nossa cultura. O cabelo é uma importante ferramenta (vamos dizer assim) de transmissão de ideias. Como me disse o psicólogo da Divisão Psicossocial da UFV, Felipe Stephan Lisboa, "o cabelo é uma forma de expressão social".


Por meio dele os outros te percebem ao mesmo tempo em que você se percebe. Parece complicado? Vamos com calma... O cabelo está ligado a auto-estima e a auto-imagem. São compreensões que você tem sobre si. O que você é? Quais são as suas características?

Suas percepções sobre você são expostas pelo seu corpo (destacando aqui o cabelo), suas ações, seus pensamentos. E o que você externa, a imagem que você transmite de você, está relacionada às coisas que você crê e gosta.

"A gente se percebe pela forma como as outras pessoas nos enxergam". É assim que se forma a compreensão de muitas situações. E Felipe exemplifica: "uma criança faz alguma besteira. Ela percebe que é besteira à medida que os outros falam que é besteira".

A cabeleira tem função social de mediar relações interpessoais, de acordo com o psicólogo Lisboa. As madeixas comunicam e permitem a interação social. Mas e os carecas? Não ter cabelo também informa algo?

Em “É dos carecas que elas gostam” apontamos que os calvos podem transparecer segurança e estabilidade familiar. Porém, Felipe acredita que esses conceitos estão associadas à idade e ao amadurecimento natural. E acrescenta que a atração se dá pela combinação de muitos fatores, não só pela aparência.

Só tem um jeito de saber se a sua imagem realmente passa o que você acredita ser: quando você se vê no espelho e isso (a imagem refletida) “não é estranho pra você e você se sente bem”, conclui Felipe Lisboa.




Foto: Flickr/Creative Commons: colin j.



sábado, 24 de outubro de 2009

Relacionamento no salão

Cortar o cabelo, colorir, hidratar, escovar parecem atividades comuns e simples, principalmente para as mulheres. Mas ao contrário do que se pensa, muitas pessoas tem medo de ir ao salão de beleza. Esse receio é desenvolvido por algumas situações de desconforto vivenciados nesse ambiente.

É o caso da estudante de 25 anos, Fernanda Cristina Caparelli de Oliveira.  “Eu fui cortar o meu cabelo e quando eu cheguei no salão, a secretária que me atendeu foi quem veio cortar o meu cabelo. Ela começou a cortar a minha franja e eu falei que ela tava cortando muito. E eu pensava que algo estava errado. Quando ela parou eu estava igual um cebolinha. Ela cortou a minha franja no meio da testa e eu tenho a testa grande. Ai, comecei a chorar desesperada no salão. A moça começou a me dizer que o cabelo crescia e que eu podia usar tic-tac e ainda cobrou sete reais pelo corte. Fiquei muito irritada. Eu só saia de casa com boné.”, conta ela.



Não são só os clientes que percebem que a dificuldade de relacionamento com o cabeleireiro pode gerar insatisfação. Os profissionais do cabelo consideram que o seu trabalho fica mais complicado quando não conseguem entender o que o cliente quer. Cabeleireira há 4 anos, Lúcia Gonçalves Moreira, acredita que o segredo é conversar com a pessoa que vai atender, antes de começar a fazer o serviço.

Lúcia acrescenta que os peteados também geram dificuldades de compreensão entre o cliente e o cabeleireiro. Porém, a grande reclamação quando o assunto é ir ao salão é quanto a cortar as pontinhas, é o que diz  Suely Januário Galeano, de 35 anos: "Eu não gosto quando peço para cortar as pontas do meu cabelo e a cabeleireira corta muito mais do que eu peço. Eu fico muito chateada”.

O que está em questão aqui é a experiência do cabeleireiro em confronto com o gosto do cliente. E o que dá bons resultados é a mistura das duas coisas. Para isso, deve haver muito respeito entre as partes.

Foto: Flickr/Creative Commons: emrank