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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cabeleira inatingível

São as mães quem decidem os penteados dos filhos até que possam fazer isso por conta própria. Nesse período, elas transmitem a eles a carga cultural por elas apreendida e a fazem manifestar nas crianças.

Alguns, quando se tornam mais velhos buscam fugir do que lhes era passado, com a intenção de construir e apresentar uma identidade, um diferencial. São, por isso, comuns as formações de tribos e com elas as caracterizações.

São muitas as informações presentes na arrumação do cabelo, começando por se perceber a necessidade sentida pelas pessoas, principalmente os adolescentes, em seguir os padrões de beleza.

Nos últimos dias, as notícias sobre esse assunto consideraram que o que está acontecendo são questionamentos quanto aos parâmetros de beleza. E eu digo que o que está se configurando é a ampliação de um mercado, o mercado dos produtos para cabelos crespos e enrolados.

Agora é isso, daqui a pouco a tendência é outra. As mudanças periódicas não são o problema, O que causa agravantes é a insatisfação frequente em que as pessoas vivem. Estão sempre querendo alcançar algo e parecem que nunca estarão satisfeitas.

sábado, 17 de outubro de 2009

Crespo é tendência

A moda agora é usar o cabelo natural.  Ou melhor, usar o cabelo crespo, pois quem tem cabelo liso, geralmente não faz grandes mudanças, até porque este é o padrão de beleza: cabelo bom e bonito é o cabelo liso.

Assim como roupas e acessórios, os "tipos" de cabelo também tem seus períodos de auge. Tempos atrás, o loiro estava em alta, por causa da personagem Leona, vivenciada por Carolina Dieckmann na novela "Cobras e Largatos", da emissora Globo. Agora é a vez do crespo, que, novamente, ganha repercussão devido a uma personagem global. Taís Araújo interpreta Helena na novela "Viver a Vida". Uma modelo que assume os cachos e faz sucesso com eles.

Será que dessa vez a moda pega ou será mais uma entre tantas outras que vem e passa?

É como se agora as pessoas ganhassem coragem para ir contra os padrões de estética tão enraizados na sociedade brasileira. Somos uma população mestiça, com origens afro que segue os moldes europeus, e  que agora, "ganha" da mídia o aval para mudar, para se assumir.

Tenho os cabelos cacheados e bem volumosos, e os amo dessa forma. Só que na correria do dia-a-dia, a necessidade de ser prática me faz ficar com eles presos. No entanto, essa semana, fui para o estágio com os cabelos soltos. Daí,  uma conhecida minha passou por mim e já foi logo perguntando: "está deixando os cabelos soltos para mostrar os cachos igual a Taís Araújo?" Preferi sorrir e não responder. Mas a minha resposta era "não". 

O cabelo encaracolado é uma das identidades de grande relevância do negro. No entanto, a grande miscigenação histórica no Brasil demonstra o quanto temos diversificação cultural. Vemos pessoas de cor de pele branca com os cabelos cacheados, mulatos com olhos verdes, e uma infinidade de outros jeitos. Porém, ainda assim a cultura afro é pouco valorizada, e os cabelos são a forma mais fácil de abafar essa diferença. Os belos cabelos cacheados são alisados, puxados e hidratados aos milhões em todo o mundo, gerando uma economia gigantesca em torno de cremes, produtos e químicas que os deixem lisérrimos.

Foi justamente isso que o editor executivo, Ivan Martins debateu na sua coluna, no site da revista Época, nesta semana. "A estética e a moda dizem muito sobre a auto-imagem dos povos" afirma ele. Sua opinião repercutia sobre a matéria da jornalista Martha Mendonça, no mesmo site. Ela discutiu a representação do crespo e suas consequências no Brasil e no mundo.

É engraçado como as pessoas reagem as influências da mídia, principalmente quando o assunto é beleza.  Há uma corrida, agora, em deixar os cabelos bonitos ao natural (para quem tem os cabelos crespos). O que se esquece é que esses modelos de beleza foram criados, especialmente, para movimentar a economia. Se parar para pensar, vai perceber que não se conhece quem tenha criado esses padrões. Quem disse que cabelo liso é o bonito, é o bom? Sabemos que é isso o que vemos e ouvimos todo o tempo. Mas nem sempre concordamos.

Foto: Globo.com