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terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Barba, cabelo e Bigode"

Há alguns dias eu postei aqui uma matéria sobre barbearias (na verdade um relado sobre barbearias). Na época eu tinha conhecimento sobre um trabalho de dois veteranos meus a respeito desse assunto, procurei para linkar, mas não achei na internet o documentário que eles fizeram, intitulado de “Barba, cabelo e bigode”.

Ainda assim, acho interessante divulgar o trabalho da Elisa França e do Vitor Arantes Tancredo já que tem tudo a ver com cabelo. A princípio eles pensaram em fazer um documentário sobre conversas em salões e barbearias. Mas por fim acabaram decidindo por documentar a tradição do segundo.



A partir de entrevistas eles construíram “um diálogo entre os salões novos e as barbearias antigas para mostrar as principais diferenças entre eles, tanto no aprendizado da profissão, quanto nas técnicas e no relacionamento com os clientes”. Além disso, Elisa conta que eles perceberam que esses locais estavam acabando e que o modo de aprendizado e de trabalho hoje é outro.

Atualmente, existe uma crescente abertura de salões unisex. Esses estão cada vez mais modernos e oferecendo diferenciados serviços no tratamento dos cabelos. Contudo, as antigas barbearias, que cuidam não só dos cabelos, mas também da barba e do bigode dos rapazotes e dos velhotes, estão cada vez mais raras. Sem falar da forma como eles lidam com a clientela: com paciência, cuidado e respeito. Não estou criticando os salões, mas não agüento ir a um salão e esperar meia hora para ser atendida e ficar 10 minutos na cadeira para cortar o cabelo.

Outro fato que está em extinção, e que é tratado no Trabalho de Conclusão de Curso da Elisa e do Vitor, é a forma de aprendizado desse ofício. A navalha ainda é utilizada e algumas técnicas antigas também são freqüentes, mas a forma como isso é apreendido nem sempre é como era antigamente, ou seja, passado de pai para filho.

Infelizmente, o trabalho não está disponível na internet. Então para aqueles que gostaram do assunto e que moram em Viçosa podem passar no Laboratório do Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da UFV para ler e assistir ao documentário. Para os que aqui não moram fica a dica: vá ao site da Elisa e lhe dê uma bronca, pois trabalho bom tem que está acessível a todos!

Foto: Flickr/Creative Commons: Trondheim Byarkiv

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Barbearia: o local sagrado dos homens

Há um tempo atrás acompanhei meu namorado em uma barbearia aqui de Viçosa. O lugar era pequeno, sem muitos luxos, mas bastante limpo. Fiquei folheando um jornal velho para passar o tempo enquanto ele cortava os cabelos, que para minha surpresa, foi bem rápido. Tudo bem! Confesso que meu namorado é quase careca, mas acredito que ele não foi a exceção.

Entre uma passada de olho e outra no jornal eu ia observando a agilidade que o barbeiro tinha com a tesoura, outras vezes com a navalha ou então com aquelas maquininhas de aparar os cabelos. E como boa mulher que sou, fiquei de ouvidos atentos nos assuntos que surgiam.

Sim! Os homens também adoram fofocar na barbearia! Seja sobre o futebol, política ou aquela garota bonita que acabou de passar na rua, existe sempre um comentário ou uma piadinha na ponta da língua.



Outra coisa que notei foi como a grande maioria dos homens são práticos e muitas vezes decididos. “Pode cortar tudo”, “apara as pontas” ou para os frequentadores assíduos "o de sempre!" , assim sem muitos penteados ou cortes variados. É claro que de vez em quando aparece algum com desenhos na cabeça ou uma cor diferente nos cabelos. Mas a grande maioria opta pelo básico.

Mesmo assim fiquei pensando: já vi homens em salões, estéticas e SPAs, uma vez que estão cada vez mais vaidosos, mas nunca vi uma mulher em uma barbearia. Me deu uma vontade louca de perguntar ao barbeiro se ele já havia atendido alguma mulher. Mas me contive, prefiro acreditar que a barbearia é o local sagrado dos homens. Lá eles podem se cuidar e se sentir belos sem ferir sua masculinidade.

Foto: Flickr/Creative Commons: Elmo Alves