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sábado, 24 de outubro de 2009

Relacionamento no salão

Cortar o cabelo, colorir, hidratar, escovar parecem atividades comuns e simples, principalmente para as mulheres. Mas ao contrário do que se pensa, muitas pessoas tem medo de ir ao salão de beleza. Esse receio é desenvolvido por algumas situações de desconforto vivenciados nesse ambiente.

É o caso da estudante de 25 anos, Fernanda Cristina Caparelli de Oliveira.  “Eu fui cortar o meu cabelo e quando eu cheguei no salão, a secretária que me atendeu foi quem veio cortar o meu cabelo. Ela começou a cortar a minha franja e eu falei que ela tava cortando muito. E eu pensava que algo estava errado. Quando ela parou eu estava igual um cebolinha. Ela cortou a minha franja no meio da testa e eu tenho a testa grande. Ai, comecei a chorar desesperada no salão. A moça começou a me dizer que o cabelo crescia e que eu podia usar tic-tac e ainda cobrou sete reais pelo corte. Fiquei muito irritada. Eu só saia de casa com boné.”, conta ela.



Não são só os clientes que percebem que a dificuldade de relacionamento com o cabeleireiro pode gerar insatisfação. Os profissionais do cabelo consideram que o seu trabalho fica mais complicado quando não conseguem entender o que o cliente quer. Cabeleireira há 4 anos, Lúcia Gonçalves Moreira, acredita que o segredo é conversar com a pessoa que vai atender, antes de começar a fazer o serviço.

Lúcia acrescenta que os peteados também geram dificuldades de compreensão entre o cliente e o cabeleireiro. Porém, a grande reclamação quando o assunto é ir ao salão é quanto a cortar as pontinhas, é o que diz  Suely Januário Galeano, de 35 anos: "Eu não gosto quando peço para cortar as pontas do meu cabelo e a cabeleireira corta muito mais do que eu peço. Eu fico muito chateada”.

O que está em questão aqui é a experiência do cabeleireiro em confronto com o gosto do cliente. E o que dá bons resultados é a mistura das duas coisas. Para isso, deve haver muito respeito entre as partes.

Foto: Flickr/Creative Commons: emrank

sábado, 19 de setembro de 2009

Avaliação médica

O Ministério da Saúde adverte: muitas doenças estão diretamente relacionadas ao trabalho (arquivo em pdf).

Bem que muita gente queria, mas não pode deixar de trabalhar por isso. Ainda mais que muitas vezes as dores podem aparecer pelo fato de a pessoa desenvolver a atividade profissional de maneira não adequada. Todo trabalho, por mais tranquilo que seja, se realizado de modo a não prezar pela segurança pode gerar grandes transtornos.

As doenças são uma das consequências desse descuido no ambiente de trabalho. No caso dos cabeleireiros, a falta de prevenção apresenta-se como o principal risco. São coisas básicas que podem ser realizadas todos os dias e que poderíam virar hábito. Assim como um atleta, tem que "aquecer" antes de começar a "exercitar". Vamos aos exemplos: para as varizes, o médico especialista em medicina da família e da comunidade, Marcello Rebello Lignani Siqueira, recomenda "ficar um pouco na ponta do pé e depois no calcanhar, na ponta do pé no calcanhar; andar um pouco, sempre que puder; deixar as pernas suspensas por 10 a 15 minutos para facilitar o retorno do sangue".

Junto com as varizes, ele classifica a LER e a síndrome do túnel do carpo, que abordamos no post anterior, como outras duas enfermidade ligadas ao trabalho do cabeleireiro. Mas ele faz uma ressalva: "o termo LER não é mais utilizado, é mais DORT, que é Doença Orteo-muscular Relacionado ao Trabalho".

A base do tratamento da DORT, de acordo com o nosso médico, é a fisioterapia e a reeducação postural. A síndrome também é tratável. Com cirurgia pode-se desinflamar os tendões e diminuir a pressão nos pulsos. Ambas podem gerar o afastamento do profissional de sua atividade, quando se comprova que a doença é derivada da repetição de ações no trabalho.

O ideal seria que o cabeleireiro pudesse ter mais intervalos durante a atividade profissional. Não trabalhasse muitas horas seguidas para que a musculatura descansasse da atividade que estava sendo realizada para depois retomá-la.

Conversando com o Marcello descobri outro fator que pode trazer riscos à saúde do cabeleireiro: o salão. O ambiente, muitas vezes é fechado, o que facilita a transmissão de doenças respiratórias, como gripe, sinusite, amidalite e faringite. Várias pessoas circulam pelo salão todos os dias e o cabeleireiro tem um contato muito próximo com as pessoas.

Ainda um outro risco apontado pelo médico é quanto as micoses no couro cabelo dos clientes. O contato com o cabelo doente pode transmitir o fungo para o profissional do salão. A esterialização, do utensílios usados no salão (tesoura, escovas, pentes...), neste sentindo, faz-se necessária para que os microorganismos que sempre estarão presentes não se multipliquem.

Já quanto aos produtos químicos, ele diz que não causam doenças, mas ressecamento da pele e desidratação. Dependendo da maneira como é realizado o uso do produto, pode se desenvolver uma alergia. E ele alerta: "ficar atento ao cliente. Se derepente ele começou a usar um produto químico e depois começou a ter alguma reação, é imporante interromper no (mesmo) momento e pedir a orientação de um médico, para ver se foi uma reação àquele produto ou não".

Todos os cuidados devem ser tomados quando se fala de saúde. Ainda mais quando essa atitude pode oferecer, ao mesmo tempo, segurança para a sua própria saúde e status de qualidade para os clientes. É ou não é uma boa preocupar-se com a prevenção?



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Riscos aos cabeleireiros

Quando você procura por um salão de beleza, você está procurando se cuidar, arrumar-se. Ao se preocupar com o seu visual, você acaba preservando a saúde do seu cabelo. Por outro lado, os cabeleireiros que se dedicam a grandes jornadas de trabalho, podem ter prejuízos ao bem-estar do próprio corpo.

Os profissionais do cabelo passam muitas horas em pé e realizam movimentos repetitivos. Por essas atividades, sentem dores nas pernas, aparecem varizes e fortes dores em pulsos, braços, ombros e pescoços.
Uma doença já conhecida e que aparece entre os cabeleireiros é a LER. Outra que possui sintomas parecidos com esta é a síndrome do túneo do carpo, que Tamara Brandi Soares, cabeleireira há 23 anos, possui. "Escovas em cabelos muito grandes, eu não posso fazer mais, pois sinto dormência e dor nas mãos", afirma.

Além desses fatores, na rotina de um salão de beleza não se pode descartar o contato desses profissionais com os produtos químicos. A pele e os olhos ficam expostos à química, o que poderia ser evitado com a utilização de luvas, máscaras e óculos de segurança. Mas este não é um hábito muito recorrente entre os cabeleireiros, como conta Tamara: "a gente deveria usar máscara, mas eu não consigo muito trabalhar de máscara e luva".

Como se não bastasse todos esses riscos à saúde do cabeleireiro (arquivo em pdf), ainda existe a variação de temperatura. O dia-a-dia de um salão envolve atividades variadas. Ou seja, ora se tem contato com altas temperaturas e ora com baixas. Por exemplo, lava-se um cabelo e depois o seca, e assim por diante.

Realizar atividades físicas como forma a preparar o corpo para a rotina pesada dessa profissão é o básico e faz-se necessário para reduzir a incidência de futuros problemas de saúde.

Interessou-se pelo tema? No próximo post você confere as doenças mais frequentes entre os cabeleireiros, o modo de as prevenir e os tratamentos existentes.

Foto: Flickr/Creative Commons: .danica; Martina Raschelkittel